sábado, 10 de outubro de 2026

PASTORAL nº 122 - 14/02/2020 "A IMPORTÂNCIA DA MEDITAÇÃO ,E O LUGAR ONDE REPOUSA SEUS PENSAMENTOS



Uma reflexão sobre a contemplação, a ansiedade e a necessidade de silenciar a alma diante de Deus.

Calma! Não me tornei um crente esotérico, tampouco estou flertando com outras religiões ou tentando adaptar o cristianismo às práticas da espiritualidade contemporânea. Continuo absolutamente convencido de que as Escrituras são suficientes para nos revelar tudo aquilo de que necessitamos para a fé e a piedade.

Entretanto, fui surpreendido por uma publicação da página Psicologia e Prevenção do Suicídio, que abordava os benefícios da meditação para a saúde emocional e a qualidade de vida.

A matéria apresentava como essa prática pode contribuir para a redução da ansiedade, o controle dos pensamentos acelerados, a melhoria da concentração, o alívio de determinadas dores, o estímulo à criatividade, a regulação do humor, a qualidade do sono e até mesmo o desempenho nos estudos.

Confesso que não tenho grandes dificuldades em reconhecer esses benefícios. Afinal, não precisamos ir muito longe para perceber o quanto alguns momentos de silêncio, contemplação e afastamento da rotina podem fazer bem.

Quem nunca experimentou certa tranquilidade ao contemplar uma paisagem? Quem nunca se emocionou diante de uma apresentação teatral, de uma bela composição musical ou de uma pintura? E nem precisa ser uma obra de um grande artista. Às vezes, basta olhar aquele desenho que nosso filho fez de nós, com uma cabeça desproporcional, parecendo um pirulito, e descobrir que existe beleza até mesmo na simplicidade de um rabisco infantil.

O problema é que, em meio às exigências da vida, estamos perdendo algo precioso: a capacidade de contemplar o belo sem a necessidade de transformá-lo em produtividade.

Vivemos tão ocupados tentando realizar alguma coisa que já não sabemos simplesmente estar presentes. Perdemos a habilidade de observar sem pressa, ouvir sem distrações e permanecer em silêncio sem sentir que estamos desperdiçando tempo.

Curiosamente, as Escrituras já nos convidavam à contemplação muito antes de a sociedade moderna descobrir os benefícios do silêncio.

"Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo."
Salmos 27:4

Observe que Davi não deseja apenas receber alguma coisa de Deus. Ele deseja contemplar a beleza do próprio Deus!

Essa é uma dimensão da espiritualidade que parece cada vez mais esquecida.

Queremos as mãos de Deus em movimento, mas raramente nos contentamos em contemplar a sua glória. Queremos respostas, soluções, intervenções, livramentos e providências. Entretanto, quantas vezes buscamos o Senhor simplesmente pelo privilégio de conhecê-lo e desfrutar de sua presença?

Aliás, enquanto escrevo estas palavras, estou em um lugar que, convenhamos, não oferece grandes atrativos à contemplação. A paisagem está longe de ser encantadora. Mas há um cachorro de rua parado diante de mim, olhando fixamente em minha direção.

E aqui estamos nós: ele me observando, e eu observando-o enquanto escrevo.

Não sei o que se passa na cabeça dele, mas essa cena aparentemente insignificante me fez pensar em como a vida se revela também nos detalhes que normalmente ignoramos.

Talvez o problema não seja apenas a ausência de beleza ao nosso redor, mas a pressa com que atravessamos aquilo que deveríamos aprender a observar.

A meditação e a prosperidade da alma

É evidente que o cristianismo possui uma finalidade infinitamente superior à busca do bem-estar físico, psicológico ou emocional.

O Evangelho não é uma técnica de relaxamento, um método de desenvolvimento pessoal ou uma ferramenta para alcançarmos a melhor versão de nós mesmos.

Essa redução do Evangelho a uma promessa de conforto e realização pessoal é característica de muitos discursos motivacionais, de pastores que transformaram o púlpito em palco de coaching e dos pregadores da teologia da prosperidade.

O Evangelho bíblico não tem o homem e suas necessidades como centro. Seu centro é Jesus Cristo, sua pessoa e sua obra redentora.

Contudo, seria igualmente equivocado concluir que Deus não se importa com nossa saúde, nossas emoções ou nossas aflições. Não somos máquinas programadas para executar atividades religiosas. Somos criaturas constituídas de corpo e alma, sujeitas ao cansaço, às angústias, ao sofrimento e às limitações da nossa humanidade.

Observe o que o apóstolo João escreve:

"Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma."
3 João 1:2

O texto é interessante porque João expressa seu desejo de que Gaio desfrute de saúde e bem-estar, tomando como referência a condição espiritual daquele irmão.

Mas precisamos compreender algo fundamental: João não está estabelecendo uma fórmula de prosperidade financeira nem ensinando que uma alma espiritualmente saudável necessariamente produzirá um corpo livre de enfermidades.

Trata-se de uma saudação afetuosa, que revela o cuidado do apóstolo pelo bem-estar integral de Gaio.

E o que caracterizava essa alma espiritualmente próspera?

A resposta aparece imediatamente:

"Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade."
3 João 1:3

Perceba! A prosperidade espiritual de Gaio não era resultado de pensamentos positivos, técnicas de autodeterminação, exercícios de autossugestão ou de uma suposta capacidade de atrair energias favoráveis.

Sua condição espiritual era testemunhada por sua fidelidade à verdade.

Mas que verdade?

Certamente não uma verdade subjetiva, construída de acordo com suas próprias experiências, preferências ou conceitos particulares de bondade e justiça.

A verdade que orientava a vida de Gaio era aquela revelada pelo próprio Deus.

Jesus declarou:

"Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade."
João 17:17

Portanto, a verdadeira prosperidade da alma não consiste em pensar bem de nós mesmos, mas em aprender a pensar corretamente a respeito de Deus, de nós mesmos e da realidade, à luz das Escrituras.

Essa distinção é fundamental.

Meditar não é esvaziar a mente, mas preenchê-la com a verdade

Não precisamos desprezar os possíveis benefícios naturais das práticas de meditação, assim como não desprezamos a importância de uma boa noite de sono, de uma caminhada ou de momentos de descanso.

A graça comum de Deus permite que até mesmo pessoas que não conhecem a Cristo observem aspectos importantes do funcionamento da mente humana e desenvolvam práticas que contribuam para o bem-estar.

Entretanto, a meditação bíblica possui uma natureza e uma finalidade distintas.

Enquanto algumas técnicas de meditação procuram desenvolver a atenção e reduzir a agitação mental, a meditação ensinada nas Escrituras nos conduz à consideração reverente da Palavra, das obras, dos atributos e das promessas de Deus.

Não se trata simplesmente de olhar para dentro de nós, mas de permitir que a verdade de Deus ilumine aquilo que encontramos em nosso interior.

Afinal, o coração humano não é uma fonte infalível de sabedoria.

O profeta Jeremias nos adverte:

"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?"
Jeremias 17:9

Por isso, o cristão não busca dentro de si a verdade definitiva sobre a existência. Ele encontra nas Escrituras a revelação que confronta, corrige, consola e orienta seus pensamentos.

Veja que a meditação não é uma novidade estranha à experiência dos servos de Deus.

"Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde; erguendo os olhos, viu, e eis que vinham camelos."
Gênesis 24:63

Há algo muito significativo nessa cena.

Isaque está no campo, ao entardecer, em um momento de recolhimento. O texto não especifica o conteúdo da sua meditação, portanto não devemos afirmar aquilo que Moisés não revelou. Mas é interessante observar que as Escrituras registram esse momento silencioso em sua vida.

Em uma sociedade que parece ter declarado guerra ao silêncio, talvez precisemos recuperar a capacidade de estar a sós, refletir e dedicar nossa atenção às coisas que realmente importam.

Quando a alma está angustiada, o que devemos trazer à memória?

Existe uma passagem das Escrituras que considero extraordinária para compreendermos a relação entre os pensamentos, a esperança e a fé.

O profeta Jeremias, no contexto das aflições relacionadas à destruição de Jerusalém, escreve:

"Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim. Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca."
Lamentações 3:20-25

Observe a profundidade dessa declaração.

Jeremias não nega seu sofrimento. Ele não disfarça sua tristeza com frases motivacionais. Não afirma que tudo está bem quando, na realidade, Jerusalém está devastada e seu povo experimenta as consequências dolorosas do juízo divino.

O profeta reconhece que suas lembranças estão relacionadas ao abatimento da alma.

Entretanto, decide dirigir seus pensamentos àquilo que pode sustentar sua esperança: o caráter misericordioso e fiel do Senhor.

A esperança de Jeremias não nasce da negação da realidade, mas da lembrança de quem Deus é, mesmo diante de uma realidade devastadora.

Que diferença existe entre isso e a superficialidade de tantas mensagens religiosas contemporâneas!

Jeremias não diz: "Pense positivo, porque tudo vai acontecer conforme sua vontade".

Ele declara, em essência: "Ainda que tudo ao meu redor esteja arruinado, o Senhor continua sendo fiel".

Isso é meditação bíblica!

Paulo também nos ensina:

"Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra."
Colossenses 3:2

É importante compreender que esse texto não nos convida a fugir das responsabilidades terrenas ou a ignorar nossos problemas.

No contexto de Colossenses 3, Paulo fundamenta essa orientação em nossa união com Cristo, que ressuscitou e está assentado à direita de Deus.

Pensar nas coisas do alto significa orientar nossa vida segundo a realidade do Cristo ressuscitado e os valores do seu Reino.

Não é uma fuga da realidade. É uma nova maneira de enxergá-la.

Naturalmente, isso não significa que a meditação bíblica eliminará automaticamente a ansiedade, a depressão ou qualquer outro sofrimento psicológico. Essas condições podem exigir acompanhamento profissional, tratamento e cuidados específicos.

A Palavra de Deus não deve ser transformada em uma técnica terapêutica com resultados garantidos. Todavia, ela oferece ao cristão uma fonte verdadeira de esperança, consolo e orientação, mesmo quando o sofrimento persiste.

A meditação que agrada a Deus

Meu conselho, portanto, é simples:

Medite! Mas não faça da sua própria mente a autoridade suprema sobre a sua vida.

Medite naquilo que Deus revelou.

Medite nas suas promessas, nos seus atributos, na sua fidelidade, na sua santidade e na maravilhosa obra de redenção realizada em Jesus Cristo.

O salmista declarou:

"As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!"
Salmos 19:14

Observe que até mesmo nossa meditação deve ser submetida ao Senhor.

Não basta que um pensamento nos faça sentir bem. Precisamos perguntar se ele é verdadeiro e se agrada a Deus.

Outro salmo declara:

"Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me alegrarei no Senhor."
Salmos 104:34

E ainda:

"Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!"
Salmos 119:97

Perceba que a meditação bíblica não é apenas um exercício intelectual. Ela envolve amor, prazer, reverência, compreensão e obediência.

O salmista não medita na Palavra porque deseja simplesmente melhorar sua concentração. Ele medita porque ama a Lei do Senhor.

Essa mesma realidade aparece no primeiro salmo:

"Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite."
Salmos 1:2

O homem bem-aventurado não é apresentado como alguém que jamais enfrenta dificuldades, mas como aquele cuja vida está enraizada na Palavra de Deus.

A imagem seguinte é belíssima: ele é comparado a uma árvore plantada junto a correntes de águas.

Sua estabilidade não procede da ausência de estações difíceis, mas da fonte que sustenta sua existência.

E aqui encontramos outra verdade essencial: o cristão não medita para conquistar o controle absoluto das circunstâncias, mas para aprender a confiar naquele que soberanamente governa todas elas.

A meditação deve produzir obediência, não apenas conhecimento

Quando Deus chama Josué para conduzir Israel, após a morte de Moisés, oferece-lhe uma orientação fundamental:

"Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido."
Josué 1:8

Observe a sequência estabelecida pelo próprio texto:

Meditação, obediência e fidelidade à vontade revelada de Deus.

O sucesso prometido a Josué não deve ser confundido com o conceito moderno de prosperidade, enriquecimento ou conquista de projetos pessoais. A promessa está relacionada à missão que Deus lhe confiara e à fidelidade à aliança.

O princípio que permanece é claro: a Palavra não deve apenas passar pelos nossos olhos ou sair dos nossos lábios. Ela precisa governar nossa maneira de viver.

É possível ler a Bíblia diariamente sem meditar verdadeiramente nela.

É possível ouvir dezenas de pregações e continuar espiritualmente distraído.

É possível conhecer versículos de memória e não permitir que essas verdades confrontem nosso comportamento.

E, especialmente para aqueles que ensinam e pregam, há uma advertência importante: não deveríamos transformar a Palavra em discurso público antes de permitir que ela examine nosso próprio coração.

A meditação não substitui a pregação, mas deve alimentar a vida daquele que prega.

Estamos tão ocupados servindo a Deus que já não encontramos tempo para ouvi-lo?

Talvez uma das grandes dificuldades da igreja contemporânea seja a maneira como assimilamos a cultura da pressa.

Criamos um estereótipo de espiritualidade no qual servir a Deus parece exigir uma agenda permanentemente lotada, uma sucessão interminável de compromissos e um estado quase contínuo de exaustão.

Cultos, reuniões, ensaios, ministérios, eventos, planejamentos, mensagens, notificações, compromissos...

Tudo parece urgente.

E, infelizmente, podemos chegar ao ponto de confundir agitação religiosa com maturidade espiritual.

Mas será que toda essa movimentação significa, necessariamente, maior comunhão com Deus?

Não estou defendendo o abandono do serviço cristão, muito menos desprezando a importância da comunhão da igreja, da pregação ou do exercício dos dons.

Estou apenas dizendo que não podemos permitir que a multiplicação das atividades religiosas substitua nossa comunhão pessoal com o Senhor.

Às vezes, falamos tanto sobre Deus que já não reservamos tempo para meditar naquilo que Ele nos revelou.

Nossa vida devocional corre o risco de se transformar em um monólogo. Falamos, pedimos, agradecemos, apresentamos nossas listas de necessidades e encerramos rapidamente aquele momento porque temos outros compromissos.

E a meditação na Palavra? E o exame do coração? E a consideração silenciosa das verdades divinas?

Não me refiro à expectativa de ouvir uma voz audível ou receber revelações particulares fora das Escrituras. Deus já nos concedeu sua Palavra, e é por meio dela, mediante a iluminação do Espírito Santo, que somos instruídos, corrigidos e consolados.

O problema é que, muitas vezes, queremos que Deus nos responda, mas não dedicamos tempo suficiente para considerar aquilo que Ele já disse.

Lembre-se de Maria, mãe de Jesus.

Depois dos acontecimentos extraordinários relacionados ao nascimento do Salvador, Lucas registra:

"Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores. Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração."
Lucas 2:18-19

Que contraste!

Enquanto muitos se admiravam com aquilo que ouviam, Maria guardava e meditava essas coisas no coração.

Não se trata de afirmar que os demais estavam errados por se admirarem, mas de reconhecer a beleza da atitude de Maria.

Ela não apenas recebeu a notícia. Detinha-se em sua consideração.

Existem verdades que não devem simplesmente atravessar nossa mente como mais uma informação entre tantas outras.

Precisamos guardá-las, examiná-las, relacioná-las e permitir que produzam frutos em nossa vida.

Talvez estejamos tão acostumados a consumir conteúdos religiosos que nos esquecemos de saborear a verdade.

E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Um convite ao silêncio

Que tal parar um pouco?

Não estou sugerindo que você abandone seus compromissos, fuja das responsabilidades ou imagine que alguns minutos de silêncio resolverão todos os seus problemas.

Estou convidando você a recuperar algo que talvez tenha sido sufocado pela correria: o prazer de meditar na Palavra de Deus.

Se puder, procure um lugar tranquilo.

Deixe o celular de lado por alguns instantes.

Abra sua Bíblia, leia uma passagem com atenção, observe seu contexto, considere o que ela revela sobre Deus, examine sua vida à luz dessa verdade e ore a partir daquilo que compreendeu.

Não tenha pressa de terminar.

Não transforme esse momento em mais uma tarefa a ser cumprida.

E não se preocupe em produzir alguma sensação extraordinária.

A finalidade da meditação cristã não é provocar experiências emocionais intensas, mas conhecer melhor o Senhor, amar sua verdade e responder a ela com fé e obediência.

Talvez você descubra que nem sempre é necessário mudar o lugar onde está para encontrar motivos de contemplação.

Às vezes, até um cachorro de rua, silenciosamente nos observando, pode nos lembrar de que precisamos desacelerar e prestar mais atenção à vida.

Mas, acima de toda a beleza que encontramos na criação, existe uma glória infinitamente superior: a do Criador que se revelou a nós nas Escrituras e, de maneira suprema, em Jesus Cristo.

A contemplação da natureza pode nos proporcionar descanso.

A apreciação da arte pode despertar nossos sentimentos.

O silêncio pode favorecer nossa concentração.

Mas somente a Palavra de Deus nos revela o Salvador de quem nossa alma verdadeiramente necessita.

Portanto, medite.

Não simplesmente para sentir-se melhor, mas para conhecer melhor aquele que é digno de ocupar seus pensamentos.

Não apenas para encontrar tranquilidade, mas para aprender a descansar na soberania de Deus.

Não para fugir das aflições da vida, mas para enfrentá-las sustentado pela verdade eterna.

E, quando o mundo parecer barulhento demais, lembre-se de que nem toda atividade representa crescimento, nem todo silêncio significa vazio e nem toda pausa é perda de tempo.

Às vezes, precisamos diminuir o ritmo para considerar com maior profundidade aquilo que realmente importa.

Encerro com as palavras do salmista:

"Meditarei no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas."
Salmos 145:5

Que nossos pensamentos não sejam apenas mais tranquilos, mas, sobretudo, mais santos. Que nossa mente não seja apenas menos agitada, mas cada vez mais governada pela verdade de Cristo.

Então...

Boa meditação!

Pr. Sandro Bitencourt

segunda-feira, 27 de abril de 2026

PASTORAL nº 121 - 27/04/2026 "VOCÊ ENTENDEU JOÃO 14:2?"

Jesus disse:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.” João 14:2

Muita gente lê esse texto imaginando Jesus chegando ao céu para começar uma grande construção de casas espirituais, como se a promessa fosse: “Eu vou construir uma morada para cada um de vocês.”

Mas será que é isso mesmo que o texto está dizendo?

Observe com atenção: Jesus primeiro afirma que na casa do Pai já há muitas moradas. Ele não diz que faltam moradas. Ele não diz que elas ainda precisam ser construídas. Ele diz que elas existem.

Depois Ele acrescenta: “Se assim não fora, eu vo-lo teria dito.”

Em outras palavras, se não houvesse muitas moradas na casa do Pai, Jesus teria deixado isso claro. Mas a afirmação dEle é segura: há muitas moradas.

Então surge a pergunta: se as moradas já existem, por que Jesus diz: “Vou preparar-vos lugar”?

Aqui está a diferença importante.

As “moradas” apontam para a realidade da casa do Pai, o destino final do povo de Deus, a comunhão eterna com o Senhor. Mas o “lugar” aponta para o acesso preparado por Cristo. O problema não era falta de espaço no céu. O problema era o nosso pecado diante de Deus.

O céu não precisava ser construído. Nós é que precisávamos ser reconciliados.

Por isso Jesus não foi ao Pai como um pedreiro celestial, mas como o Filho obediente, o Cordeiro sacrificado, o Sumo Sacerdote perfeito e o Mediador da nova aliança.

Ele preparou o lugar por meio do seu sacrifício.

“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:5

Ele preparou o lugar vencendo a morte.

“O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.” Romanos 4:25

Ele preparou o lugar entrando na presença do Pai em favor do seu povo.

“Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus.” Hebreus 9:24

Ele continua preparando o nosso lugar por sua intercessão perfeita.

“Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” Romanos 8:34

Então, quando Jesus diz “vou preparar-vos lugar”, Ele não está falando principalmente de construção, mas de redenção. Ele está dizendo que sua partida envolve cruz, ressurreição, ascensão e intercessão.

Ele vai ao Pai abrindo o caminho para que pecadores sejam recebidos na casa do Pai.

Por isso, logo depois, Ele afirma:

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6

A esperança do cristão não está em uma casa sendo construída no céu, mas em um Salvador que abriu o caminho para o Pai.

As moradas existem.

O lugar foi preparado.

E o caminho é Cristo.

Pr. Sandro L. Bitencourt 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

PASTORAL nº 120 - 24/11/11 "TECO TECO OU RARIDADE ÚNICO DONO(A)?"

     Outro dia estava indo para minha casa quando minha esposa me relatou sobre a existência de um outdoor que a deixara muito constrangida e irritada. Após passar por baixo das linhas do metrô em Irajá em direção a Madureira do lado direito existe uma mensagem com a seguinte frase: "Deixe seu “teco teco” em casa e venha curtir um avião"

     Eu fiquei realmente impressionado com a falta de tato, educação, hombridade. caráter, senso, juízo, respeito, decência, valores, pudor, dignidade, ética, civilidade, noção, moral...
     Não vou nem falar o que eu acho que se passa em uma mente de gigantesca boçalidade, uma mente de pensamentos “enflatulados”, que teve a inteligência assassinada pela incontinência vinda do ânus-reto, que liga a “bocaçapa”, a fétida alma, fazendo com que a arte da comunicação tivesse a eficácia trocada pela “defecácia”.
     Este tipo de mensagem não só ofende à todas as esposas, mulheres de bem, como também ao ego e brio dos maridos que respeitam, zelam e velam por suas esposas tratando-as em igual respeito, como a si desejam ter.
     Se fosse fazer um trocadilho eu pensaria na relação com o “teco teco” e o "Tico e Teco" referidos aos neurônios de pessoas que são dadas como lentas em pensamento, pois uma pessoa que não se esforça para usar a sua mente a fim de obter um sustento digno para si e recorre a este tipo de prática, realmente nem do "Tico" ela precisa, pois, ela vive muito bem com o "Teco". Um ser que produz este tipo de ofensa a sociedade e a família, este sim deveria receber o título de "Teco Teco" pelo seu brilhante cérebro mononeural.
     Em momento algum quero ofender as pessoas que trabalham neste tipo de lugar, a elas só fica minha sinsera torcida por um emprego, menos “automarginalizante”.
     Gostaria de indicar a leitura da vida de um mulher chamada Abigaill. Você pode ler sobre ela no livro de 1 Samuel capítulo 24 e 25 da Bíblia. Uma mulher relatada como linda e formosa e detentora de uma sabedoria provinda de valores epirituais, sociais e familiares, que evitou um genocídio de toda sua família e criadagem que teria acontecido devido a falta de humildade e prudência de seu marido chamdo Nabal.
      Infelizmente há muitas mulheres e homens também que após o matrimônio, relaxam de suas saldáveis vaidades e não se preocupam mais, em como se apresentar para o seu esposo ou esposa, não se preocupam mais em cultivar os bons hábitos do amor não cuidam da manutenção do afeto e vai favorecendo a pseudo mentalidade do “desvalor” do outro. Esta mentalidade não sugere a reflexão sobre a superação das dificuldades vividas no casamento como: Doenças, perda de um ente querido, desemprego, quadros de turbulência, educação dos filhos... Faz com que tudo venha ruir mediante a sedução de uma aparência.
    Outra coisa estranha é o seguinte. Ninguém quer comprar um carro com uma alta quilometragem. Não! Não querem e nesta mão única de publicidade as lojas de carros semi-novos escrevem nos vidros dos carros: "40.000km" "Única Dona" "Raridade".
     Será que daqui alguns anos uma mulher ou um homem que tenham pouca kilometragem em suas vidas sentimentais, sem muitas paradas e estradas esburacadas serão realmente raridades?
     Minha mulher é linda, é inteligente, é sábia, temente a Deus, tenho certeza que será uma ótima mãe, pois foi uma ótima filha, profissionalmente estabilizada e caso um dia ela seja considerada uma raridade, para mim não vai mudar nada, pois ao seu lado eu me considero o homem mais rico do mundo.
Provérbios 12:4 A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos. Provérbios 31:10 Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.
     É este tipo de mulher que um homem que realmente se considera como tal deve buscar, agora se você é um insano e doente mental que se contenta com qualquer coisa que resolva o teu problema em alguns minutos. Busque estas "Teco Teco"
     Pensando bem existem alguns homens que não merecem uma mulher de valor a seu lado, pois para os aturarem com suas vis e profanas formas de viver, realmente "Só pagando!"
     Enquanto existirem estes retardados que não sabem valorizar suas famílias, sempre existirá alguém que queira ganhar dinheiro em cima destes entenebrecidos no entendimento. Eu só tenho pena das esposas, traídas, também dos maridos traídos, dos filhos traídos.
     Meus irmãos e irmãs, preservem suas vidas, suas famílias, suas vidas, sua comunhão com Deus, pois, Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno. 1 João 5:19

Se esta mensagem te abençoou fique a vontade para repassar, agora se você é a besta que fez o outdoor, retire aquela porcaria de lá.

Pr. Sandro L. Bitencourt

PASTORAL nº 119 - 23/04/26 "DEUS IRÁ TE AFLIGIR!"

Recebi uma mensagem de uma aluna do seminário, uma jovem de 21 anos, que atualmente está estudando o módulo do livro de Provérbios no Curso de Teologia Bíblica Aplicada do Instituto Enoch. A mensagem dela me alegrou profundamente, porque revelou algo que todo professor da Palavra deseja ver: um coração queimando diante das Escrituras.

Ela dizia, em outras palavras, que estava feliz por aprender, mas ao mesmo tempo assustada. Feliz porque Deus estava abrindo seus olhos; assustada porque começou a perceber a maldade do próprio coração. Coisas que antes pareciam pequenas, como uma fofoca em família, agora passaram a ser vistas com seriedade diante de Deus. Ela dizia sentir alegria, mas também certo desespero. Não era um peso de condenação, mas uma inquietação santa. Uma alma começando a ser despertada pela Palavra.

Depois, ela me escreveu dizendo que estava aliviada. Ainda havia um pouco de desespero, mas também havia felicidade, porque ela compreendeu que Deus estava lhe dando a oportunidade de arrependimento. Ela percebeu que o seminário, por ser uma vez por semana, lhe dava tempo para rever a aula, digerir o conteúdo e permitir que a Palavra trabalhasse em seu coração.

Essa experiência me levou a pensar em algo muito sério: quando Deus começa a tratar conosco pela Palavra, nem sempre o primeiro fruto é uma explosão de júbilo. Às vezes, o primeiro fruto é aflição.

A Bíblia diz, no contexto do Dia da Expiação: “afligireis a vossa alma” (Levítico 16:29). Essa expressão aparece em um ambiente de profunda solenidade. O povo de Deus era chamado a se humilhar diante do Senhor, reconhecendo a gravidade do pecado e a santidade daquele que estava no meio deles.

Isso nos ensina que há momentos em que Deus aflige a alma do homem. Não como um inimigo que deseja destruí-lo, mas como Pai que deseja despertá-lo. Deus fere para curar. Ele confronta para salvar. Ele incomoda a consciência para que o pecador não consiga mais viver em paz com aquilo que antes tratava como normal.

Foi isso que Jesus disse sobre a obra do Espírito Santo: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8). O Espírito Santo não apenas consola; Ele também convence. Ele não apenas emociona; Ele revela. Ele abre os olhos para que vejamos o pecado como pecado.

Por isso, quando alguém começa a dizer: “Meu Deus, como eu não percebia isso antes?”, talvez essa pessoa não esteja se afastando de Deus. Talvez esteja, pela primeira vez, sendo realmente aproximada da luz.

Quanto mais longe da luz, menos enxergamos a sujeira. Mas quando a luz entra, até a poeira escondida aparece. A Palavra de Deus faz isso. Ela penetra, discerne, expõe e revela “os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12).

Muitos pensam que o despertamento espiritual começa sempre com alegria, paz imediata e lágrimas de emoção. Às vezes, sim. Mas muitas vezes ele começa com quebrantamento. Começa com temor. Começa com uma santa inquietação.

Isaías, ao contemplar a santidade de Deus, não começou cantando sobre si mesmo. Ele disse: “Ai de mim! Estou perdido!” (Isaías 6:5). Pedro, ao perceber quem estava diante dele, disse: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5:8). Os ouvintes da pregação de Pedro, em Atos, “compungiram-se em seu coração” e perguntaram: “Que faremos, irmãos?” (Atos 2:37).

A alma afligida por Deus não é uma alma abandonada. É uma alma visitada.

Paulo explica isso de forma muito clara: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2Coríntios 7:10).

Existe uma tristeza que vem do mundo e leva à morte. É a tristeza da culpa sem Cristo, do remorso sem arrependimento, do desespero sem evangelho. Mas existe uma tristeza que vem de Deus. Essa tristeza não destrói; ela conduz à vida. Ela não afasta o pecador do Senhor; ela o empurra para os braços de Cristo.

A tristeza segundo Deus é aquela dor santa que nos faz parar de justificar o pecado. É o incômodo bendito que nos impede de continuar brincando com aquilo que entristece o Senhor. É a aflição que nos faz dizer: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador” (Lucas 18:13).

E essa dor, quando é obra de Deus, não termina em condenação. Ela termina em arrependimento, fé, perdão e transformação.

Por isso, não devemos desprezar esses momentos em que a Palavra nos desmonta. Quando uma jovem começa a olhar para a própria vida e percebe que precisa mudar, isso não é fracasso espiritual. Isso é sinal de que Deus está trabalhando. Quando alguém passa a levar a sério pecados que antes tratava como pequenos, isso não é peso inútil. Isso é santificação começando a criar raízes.

Deus não mostra o nosso pecado para nos esmagar, mas para nos levar a Cristo. Ele não revela a profundidade da nossa miséria para nos lançar no abismo, mas para nos mostrar a profundidade da graça. O mesmo Deus que aflige a alma é o Deus que cura a alma. O mesmo Espírito que convence do pecado é o Espírito que aponta para o Salvador.

Portanto, sim: Deus irá te afligir.

Ele irá afligir sua alma para arrancar de você a ilusão de que o pecado é pequeno. Irá incomodar sua consciência para que você não consiga mais viver em paz com aquilo que antes parecia normal. Irá quebrar sua autoconfiança para que você aprenda a descansar em Cristo. Irá mostrar sua fraqueza para que você pare de confiar em si mesmo e comece a depender da graça.

Mas Ele não fará isso para destruir você. Fará para salvar, corrigir, santificar e conduzir você para mais perto de Cristo.

Depois de afligir, Ele consola. Depois de confrontar, Ele ensina. Depois de revelar o pecado, Ele mostra o Salvador. O objetivo de Deus não é formar pessoas desesperadas, mas pecadores arrependidos, humildes, perdoados e transformados.

A alma que hoje treme diante da Palavra pode ser a mesma alma que amanhã dirá com gratidão: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119:71).

Porque quando Deus aflige a alma, Ele não está destruindo a fé.

Ele está iniciando um avivamento!

Pr. Sandro L. Bitencourt

Conta pra gente o que este texto gerou no teu coração aqui nos comentários.

PASTORAL nº 118 - 23/04/26 "POR QUE NÃO DEVEMOS PEDIR A INTERCESSÃO DOS SANTOS?"


Uma pergunta muito comum é esta: se podemos pedir que irmãos em Cristo orem por nós, por que não poderíamos pedir a intercessão dos santos que já partiram e estão diante de Deus?

A pergunta é importante, porque toca em assuntos centrais da fé cristã: a mediação de Cristo, a suficiência da sua obra, a natureza da oração, a comunhão dos santos e os limites que a própria Escritura estabelece para o culto cristão.

A resposta bíblica não parte da ideia de que os salvos que morreram “deixaram de existir”. Pelo contrário, cremos que aqueles que morreram em Cristo estão vivos diante de Deus. Jesus mesmo declarou:

“Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos.”
(Lucas 20:38)

Portanto, a questão não é se os santos estão vivos diante de Deus. A questão é outra: a Bíblia nos autoriza a invocá-los? A Bíblia ensina que eles podem nos ouvir? A Bíblia ensina que eles podem mediar ou interceder por nós diante do Pai? A resposta bíblica é não.

1. Somente Jesus é o Mediador entre Deus e os homens

A Escritura é absolutamente clara ao afirmar que há um só Mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo.

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem,
o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.”
(1Timóteo 2:5-6)

O mediador é aquele que está entre duas partes. E somente Cristo pode ocupar esse lugar, porque somente Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele representa Deus diante dos homens e representa os homens diante de Deus.

Os santos, por mais fiéis que tenham sido, jamais cumprem esse requisito. Eles são criaturas redimidas, não são Deus. Eles participaram da graça, mas não são a fonte da graça. Eles foram salvos por Cristo, mas não podem ocupar o lugar de Cristo.

Jesus é o caminho ao Pai. Não apenas um dos caminhos. Não apenas o principal caminho. Ele é o caminho.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”
(João 14:6)

Se ninguém vai ao Pai senão por Cristo, então não precisamos de outro acesso, outro mediador, outro canal espiritual ou outro intercessor celestial além dele.

2. Cristo não apenas morreu por nós, Ele continua intercedendo por nós

A obra de Cristo não terminou apenas na cruz. Ele morreu, ressuscitou, subiu aos céus e agora está à direita do Pai intercedendo por seu povo.

“Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.”
(Romanos 8:34)

A intercessão de Cristo é perfeita porque sua obra é perfeita. Ele não se apresenta diante do Pai com base em méritos alheios, mas com base em seu próprio sangue, sua própria justiça e sua própria obediência.

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.”
(Hebreus 7:25)

O texto não diz que Cristo salva parcialmente, nem que intercede com ajuda de outros. Ele salva perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus. A suficiência de Cristo exclui a necessidade de qualquer intercessão celestial paralela.

3. Jesus é o nosso Advogado diante do Pai

A Bíblia também apresenta Jesus como nosso Advogado. Ele é aquele que se coloca diante do Pai em favor dos seus redimidos.

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”
(1João 2:1-2)

Aqui está uma verdade gloriosa: quando o crente peca, ele não precisa recorrer a Maria, aos apóstolos, aos mártires ou a qualquer outro santo. Ele tem um Advogado junto ao Pai: Jesus Cristo, o justo.

E por que somente Ele pode advogar? Porque somente Ele é justo em si mesmo. Somente Ele ofereceu propiciação pelos nossos pecados. Somente Ele tem habilitação para estar diante do Juiz em nosso favor.

Os santos glorificados também foram pecadores salvos pela graça. Eles também precisaram da mediação de Cristo. Eles não podem ser, ao mesmo tempo, os necessitados da redenção e os advogados redentores. Eles são testemunhas da graça, não mediadores da graça.

4. Orar aos santos é uma forma de invocação

Outro ponto importante é compreender que oração não é apenas “pedir alguma coisa”. Oração é ato religioso. Quando oramos, invocamos. Quando dirigimos oração a alguém, estamos atribuindo a esse alguém uma capacidade espiritual de nos ouvir, atender e responder.

A Bíblia nos ensina a invocar o nome do Senhor, não o nome dos santos.

“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”
(Atos 2:21)

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”
(Romanos 10:13)

A invocação pertence ao culto devido a Deus. Por isso, quando alguém ora a um santo, mesmo que diga que está apenas pedindo intercessão, na prática está realizando um ato de invocação religiosa dirigido a uma criatura.

E a Escritura é severa quanto à tentativa de consultar ou invocar mortos.

“Entre ti se não achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos;
pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti.”
(Deuteronômio 18:10-12)

Ainda que alguém diga: “Mas os santos estão vivos diante de Deus”, isso não muda o fato de que a Bíblia não autoriza os vivos na terra a invocarem aqueles que partiram. Estar vivo diante de Deus não torna alguém objeto de oração da igreja.

O profeta Isaías também confronta essa prática:

“Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos?”
(Isaías 8:19)

A pergunta é forte: “Não recorrerá um povo ao seu Deus?” Essa é a questão. O povo de Deus deve recorrer a Deus.

5. Os santos não são oniscientes nem onipresentes

Mesmo que alguém sustente a tese de que Maria não morreu, mas foi assunta aos céus, isso não resolve o problema bíblico e teológico. Ainda que alguém estivesse no céu, isso não tornaria essa pessoa participante dos atributos incomunicáveis de Deus.

Maria não é onisciente. Os apóstolos não são oniscientes. Os mártires não são oniscientes. Nenhum santo é onipresente. Nenhuma criatura pode ouvir milhões de orações ao mesmo tempo, em línguas diferentes, em lugares diferentes, no íntimo do coração de cada pessoa.

Somente Deus conhece todas as coisas.

“Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito.”
(Salmos 147:5)

Somente Deus está presente em todos os lugares.

“Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.”
(Salmos 139:7-10)

Atribuir aos santos a capacidade de ouvir orações em todos os lugares é, na prática, atribuir a eles algo que pertence somente a Deus. Isso ultrapassa a honra devida aos servos de Deus e invade o campo da adoração.

6. A intercessão dos irmãos na terra é diferente

Alguém pode perguntar: “Mas a Bíblia não manda orar uns pelos outros?”

Sim, manda. Mas pedir oração a um irmão vivo na terra não é a mesma coisa que invocar um santo no céu. Quando peço que um irmão ore por mim, não estou orando a ele. Não estou atribuindo a ele onisciência, onipresença ou poder celestial. Estou apenas compartilhando uma necessidade dentro da comunhão visível da igreja.

A Bíblia ordena que os crentes orem uns pelos outros:

“Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos.”
(Efésios 6:18)

“Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.”
(Tiago 5:16)

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens.”
(1Timóteo 2:1)

Esse tipo de intercessão faz parte da vida comum da igreja. Ela não cria mediadores celestiais. Ela não substitui Cristo. Ela não confere poderes especiais aos crentes. Ela apenas expressa amor, responsabilidade, cuidado e comunhão no corpo de Cristo.

Pedir a um irmão que ore por mim é comunhão cristã. Orar a um santo é invocação religiosa.

7. A intercessão dos santos é desnecessária diante da suficiência de Cristo

Além de não haver autorização bíblica para invocar os santos, tal prática é completamente desnecessária. Se temos Cristo como Mediador, Intercessor e Advogado, que necessidade há de outro?

A Bíblia nos convida a nos aproximarmos diretamente de Deus por meio de Cristo.

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”
(Hebreus 4:14-16)

O texto não diz: “Cheguemos a Maria.” Não diz: “Cheguemos aos santos.” Não diz: “Procuremos intermediários espirituais.” Diz: “Cheguemos com confiança ao trono da graça.”

Por quê? Porque temos um grande Sumo Sacerdote: Jesus, o Filho de Deus.

A intercessão dos santos não apenas é desnecessária; ela acaba diminuindo, na prática, a percepção da suficiência de Cristo. Não porque Cristo seja de fato insuficiente, mas porque o coração humano começa a agir como se Ele precisasse de ajudantes celestiais para ouvir, acolher, interceder ou levar nossas súplicas ao Pai.

Mas Cristo não precisa de auxiliares em sua mediação. Ele é suficiente.

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”
(Atos 4:12)

Conclusão

Nós honramos os santos do passado como exemplos de fé. Podemos aprender com Abraão, Moisés, Davi, Maria, Pedro, Paulo e tantos outros servos de Deus. Podemos reconhecer que eles pertencem ao povo do Senhor e que estão vivos diante de Deus.

Mas não devemos orar a eles. Não devemos invocá-los. Não devemos pedir sua intercessão. Não devemos atribuir a eles funções que pertencem exclusivamente a Cristo.

A comunhão dos santos não anula a mediação de Cristo. A honra aos servos de Deus não pode se transformar em oração dirigida a eles. A lembrança dos fiéis não pode se tornar invocação dos mortos.

Podemos e devemos pedir que nossos irmãos orem por nós, pois isso é mandamento bíblico e expressão da vida da igreja. Mas nossa confiança final não está na oração dos irmãos, nem na memória dos santos, nem na tradição religiosa. Nossa confiança está em Cristo.

Ele é o único Mediador.
Ele é o nosso Advogado.
Ele é o nosso Sumo Sacerdote.
Ele é o caminho ao Pai.
Ele vive para interceder por nós.

Por isso, o crente não precisa procurar outro nome no céu. O Pai nos recebeu em Cristo, nos ouve por Cristo e nos socorre por Cristo. E isso basta.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

PASTORAL nº 117 - 23/04/26 "AS TRINTA MOEDAS E O CAMPO DE SANGUE"

Por que o campo comprado com as moedas de Judas foi usado para sepultar estrangeiros?

No relato da morte de Judas e da devolução das trinta moedas de prata, Mateus registra um detalhe aparentemente pequeno, mas carregado de significado bíblico e teológico. Depois de Judas devolver o dinheiro aos principais sacerdotes e anciãos, o texto diz:

“E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue. E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros. Por isso, aquele campo tem sido chamado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue” (Mateus 27:6-8).

A pergunta que surge é: por que esse campo foi destinado à sepultura de estrangeiros e não à sepultura dos próprios judeus?

A resposta passa por alguns elementos importantes.

Em primeiro lugar, os judeus normalmente sepultavam seus mortos em túmulos familiares ou em sepulturas ligadas ao seu próprio povo. A sepultura tinha forte relação com identidade, família, herança e pertencimento. Ser sepultado junto aos seus pais era algo significativo dentro da cultura bíblica.

Já os estrangeiros, peregrinos, viajantes ou prosélitos que morriam em Jerusalém muitas vezes não tinham família, propriedade ou sepultura própria na cidade. Portanto, um campo destinado ao sepultamento de estrangeiros serviria como lugar para aqueles que estavam fora das estruturas familiares e nacionais de Israel.

Mas Mateus não menciona esse detalhe apenas por uma questão administrativa. Há uma profunda ironia espiritual no texto.

Os principais sacerdotes não quiseram colocar as moedas no tesouro do templo porque reconheceram que aquele dinheiro era “preço de sangue”. Ou seja, era dinheiro manchado pela morte de um inocente. Porém, ao mesmo tempo em que demonstram zelo ritual com o dinheiro, eles não demonstram arrependimento pela culpa moral de terem participado da condenação de Jesus.

Eles têm escrúpulo religioso com as moedas, mas não têm temor diante do sangue inocente de Cristo.

Essa é uma das grandes denúncias do texto. Os líderes religiosos estavam preocupados em não contaminar o tesouro do templo, mas seus próprios corações estavam contaminados pela hipocrisia, pela injustiça e pela rejeição do Messias.

O campo comprado com aquelas moedas ficou conhecido como “Campo de Sangue”. Esse nome carregava a memória da traição de Judas, da culpa dos sacerdotes e da morte injusta de Jesus. Por isso, provavelmente, não seria considerado um lugar honroso para sepultar os próprios judeus, muito menos os membros do Sinédrio ou das famílias de destaque em Jerusalém.

O campo se tornou um memorial de vergonha, culpa e juízo.

Além disso, Mateus mostra que esse acontecimento cumpre as Escrituras. O eco mais direto está em Zacarias:

“Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. Então, o Senhor me disse: Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do Senhor” (Zacarias 11:12-13).

É impressionante perceber os elementos que se conectam: trinta moedas de prata, o oleiro, a Casa do Senhor e o preço pelo qual o pastor rejeitado é avaliado. Mateus entende que a rejeição de Jesus não foi um acidente fora do controle de Deus, mas o cumprimento soberano das Escrituras.

Também podemos perceber um eco importante em Jeremias, especialmente na imagem do oleiro e do juízo sobre Israel:

“Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jeremias 18:6).

E ainda:

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Deste modo quebrarei eu este povo e esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se” (Jeremias 19:11).

O campo do oleiro, portanto, não é apenas um detalhe geográfico. Ele carrega uma mensagem profética. O oleiro remete à soberania de Deus, ao juízo sobre a infidelidade do povo e à fragilidade de Israel diante daquele que tem poder para formar, quebrar e refazer.

Quando os líderes de Israel rejeitam o verdadeiro Pastor, o Messias prometido, o dinheiro da traição termina ligado ao oleiro e a um campo de sepultamento. É uma cena de juízo. O povo que deveria reconhecer o Cristo acaba rejeitando o Filho de Deus.

Mas há também uma beleza profunda nesse detalhe: o campo é destinado aos estrangeiros.

Mesmo em meio à traição, à hipocrisia religiosa e à injustiça contra Jesus, Mateus nos permite enxergar um sinal da abrangência da obra de Cristo. A morte de Jesus não seria apenas para judeus, mas também para os povos de fora de Israel. O sangue rejeitado pelos líderes judeus seria o sangue que compraria para Deus pessoas de toda tribo, língua, povo e nação.

Portanto, o campo comprado com o preço do sangue inocente se torna, ao mesmo tempo, sinal de culpa e sinal de alcance. Ele denuncia a hipocrisia dos líderes, mas também aponta para a salvação que alcançaria os estrangeiros.

Jesus foi rejeitado pelos seus, mas sua morte abriria caminho para muitos que estavam longe.

Como João escreveu:

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (João 1:11-12).

Assim, o campo do oleiro nos ensina que a rejeição de Cristo pelos homens não frustrou o plano de Deus. Pelo contrário, até mesmo a traição de Judas, a hipocrisia dos sacerdotes e o uso daquelas moedas estavam sob a soberania divina, cumprindo as Escrituras e apontando para a obra redentora de Jesus.

O campo era de sangue, mas o sangue de Cristo fala melhor do que o sangue de Abel. O sangue de Abel clamava por justiça; o sangue de Cristo anuncia perdão, redenção e reconciliação para todos os que creem.

Em resumo, o campo foi usado para sepultar estrangeiros porque estes não tinham sepulturas familiares em Jerusalém e porque aquele dinheiro, considerado impuro por ser “preço de sangue”, não poderia voltar ao tesouro do templo nem ser associado a uma finalidade honrosa entre os judeus. Contudo, Mateus mostra algo muito maior: os sacerdotes rejeitaram o dinheiro como impuro, mas rejeitaram também o próprio Messias. E, pela providência de Deus, o campo destinado aos estrangeiros aponta para a verdade gloriosa de que a morte de Cristo alcançaria também os povos de fora de Israel.

Pr. Sandro L. Bitencourt

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

PASTORAL nº 116 - 17/02/26 "QUANDO A ORTODOXIA VIRA DUREZA"


O livro de Jó é perturbador não porque seus amigos falem mentiras sobre Deus, mas porque falam verdades fora do lugar certo. Elifaz, Bildade e Zofar conhecem atributos divinos reais: Deus é justo, santo, soberano, não aprova o mal. O problema não está no conteúdo — está no uso. Eles transformam teologia em martelo.

E isso continua acontecendo hoje.

Elifaz começa suave. Ele não chega acusando diretamente. Ele testemunha.

“Eu vi…”, “na minha experiência…”, “assim acontece…”

O erro dele não é observar a vida. O erro é transformar sua observação limitada em decreto divino. Ele pega padrões comuns e transforma em lei absoluta: quem sofre, pecou; quem está bem, agradou a Deus.

Ele não percebe que está julgando Deus a partir da própria vivência.

E esse é um perigo enorme: quando a nossa história vira nossa teologia.
Quando Deus passa a caber no tamanho da nossa biografia.

Porque se tudo funciona na minha vida, concluo:
— funciona assim para todos.

Mas Deus não administra o universo pela minha rotina.

Bildade não apela à experiência. Ele apela aos antigos.

“Pergunte às gerações passadas…”

Ele representa a segurança da tradição. O peso da ortodoxia histórica. Só que ele usa a tradição não para consolar, mas para encerrar a conversa.

Para ele, se a doutrina já está definida, então o sofrimento de Jó só pode ser culpa dele. A tradição vira filtro que impede enxergar o fato concreto diante dos olhos: um justo está sofrendo.

O problema não é a tradição — ela é necessária.
O problema é quando a tradição substitui a compaixão.

A teologia deixa de ser luz e vira sentença.

Zofar é o mais duro. Ele já não tenta explicar — ele diminui.

Para ele, Jó sofre menos do que merece.
Ele não apenas defende Deus, ele acusa Jó.

Aqui aparece algo mais profundo: orgulho religioso.
A sensação de estar do lado de Deus contra o sofredor.

Zofar não percebe que está falando sobre santidade sem santidade no coração. Ele afirma a grandeza de Deus, mas age sem misericórdia — justamente o atributo que Deus mais manifesta no livro.

Eles acertam quem Deus é.
Erram como Deus age.

Eles defendem a justiça divina negando sua misericórdia.
Aplicam verdades eternas de forma imediatista e cruel.

E fazem isso porque não são eles que estão na cinza.

É sempre mais fácil explicar a dor do outro.

Por isso a advertência do livro não é apenas para teólogos liberais — é para gente ortodoxa. Gente que conhece a doutrina correta, mas usa a doutrina para julgar em vez de pastorear.

Tiago diz que a religião pura é cuidar do órfão e da viúva.

Mas os amigos de Jó provavelmente fariam perguntas antes de ajudar:

— O que você fez para chegar nisso?
— Algum pecado oculto?
— Deus é justo… alguma coisa você fez.

Eles tentariam resolver o sofrimento explicando-o moralmente.

Só que a cruz destrói essa lógica.

Nem todo sofrimento é punição.
Nem toda prosperidade é aprovação.

Se fosse, Cristo teria sido o maior pecador da história.

Jó não nega que Deus é justo.
Ele nega que a equação deles explica a realidade.

Então ele pergunta, em essência:

Se sofrimento é sempre castigo proporcional ao pecado…
por que vocês não sofrem também?

E mais:
por que o ímpio prospera?

Os amigos têm respostas prontas. Jó tem a realidade diante dos olhos.

Ele manda observar o campo, os animais, a natureza — a própria criação mostra irregularidades que quebram qualquer sistema simplista de recompensa imediata.

A vida não cabe em um método.

Os três amigos representam algo muito moderno: uma fé pragmática.

Faça certo → Deus retribui.
Erre → Deus cobra.

Isso pode vestir roupa de prosperidade financeira ou de coaching espiritual. Mas a estrutura é a mesma: técnicas para controlar resultados.

Só que o livro de Jó existe justamente para destruir a ideia de que Deus pode ser reduzido a fórmula.

Deus não é mecanismo moral automático.

O mais assustador do livro não é que existiram homens assim — é que eles eram sinceros, piedosos e teologicamente corretos em grande parte do que diziam.

O problema deles não era falta de Bíblia.
Era falta de compaixão.

Quando não somos nós na dor, a tendência é organizar a dor do outro em um sistema explicável. Isso nos dá sensação de controle.

Mas Deus não nos chamou para explicar toda dor.
Chamou para chorar com os que choram.

Porque às vezes a pior heresia não é dizer algo errado sobre Deus —
é dizer algo certo na hora errada.

E no final do livro Deus não repreende Jó por suas perguntas angustiadas.
Ele repreende os amigos por falarem corretamente sobre Ele, mas de maneira que não O representava.

Eles defenderam a honra de Deus ferindo um filho de Deus.

E isso ainda acontece quando a verdade é usada sem graça.

Pr. Sandro L. Bitencourt 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

PASTORAL nº 115 - 22/09/25 A RELAÇÃO ENTRE O PASTOR E A MEMBRESIA DA IGREJA"

ENTENDENDO A RELAÇÃO ENTRE O PASTOR E A MEMBRESIA DA IGREJA


Vivemos tempos em que os princípios de autoridade são questionados, muitas vezes por conta da forma autoritária com que alguns líderes religiosos governam a Igreja de Jesus Cristo. Aqui já temos um princípio fundamental: a Igreja pertence a Jesus Cristo, não a homens.

O fato é que, por mais que todos nós sejamos servos e que Deus não faça acepção de pessoas, há um trato diferente para cada um de nós. Nesse sentido, cabe destacar como o pastor é visto por Deus no exercício do seu ofício, especialmente no tocante à guarda e proteção da Igreja — ainda que composta por homens e mulheres falhos.

O apóstolo Pedro nos ensina claramente sobre a postura correta dos pastores:

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória” (1Pedro 5:2-4).

Meu objetivo com esta reflexão é mostrar aos pastores a forma bíblica e pastoral de tratar com os desafios eclesiásticos sem trazer para o campo da pessoalidade nem do juízo de valor individualizado. Ao mesmo tempo, desejo alertar os irmãos que talvez estejam sendo vítimas de um tipo de assédio religioso, quando seus pastores ultrapassam as recomendações bíblicas no trato das ovelhas — seja movidos por torpe ganância, seja pela manutenção do próprio ego inflamado pelo poder que o cargo lhes confere, fazendo-os agir como donos daquilo que deveriam tratar como mordomos.

É nesse contexto que compartilho, abaixo, uma mensagem enviada à igreja que sirvo como pastor, a fim de demonstrar a maneira bíblica de trazer exortação sem agir como senhor nem por constrangimento, mas em amor, conforme ensina o apóstolo Pedro.

A paz do Senhor, queridos irmãos!

Desejo a todos uma semana repleta da presença e do cuidado de Deus. Agradeço de coração a cada um que leu e acolheu, com mansidão, a exortação pastoral que lhes foi dirigida.

A exortação, como nos ensina a Escritura, deve sempre ser feita a partir de princípios bíblicos e não como uma imposição prepotente. O propósito do pastoreio, dom concedido por Deus, é a edificação e o aperfeiçoamento dos santos:

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:11-12).

No corpo da igreja, todos somos iguais como servos de Deus. Porém, no que diz respeito à responsabilidade diante do Senhor, a Palavra de Deus nos ensina:

“E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de reprovação, com poucos açoites será castigado. E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá; e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá” (Lucas 12:47-48).

Nesse sentido, pesa sobre os pastores algo que não pesa ao restante da congregação, pois no último dia são os pastores que darão conta das almas que o Senhor lhes confiou para a mordomia espiritual:

 “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13:17).

Isso não significa ser culpado se alguém se perder, pois o próprio Jesus teve Judas, que foi considerado “filho do diabo” e “filho da perdição” (João 6:70; João 17:12). Quando Jesus prestou contas dos discípulos ao Pai, disse:

“Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome; tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” (João 17:12).

Ainda assim, Jesus prestou contas ao Pai sobre aqueles que Lhe foram dados.

É com grande amor e também com santo temor que tenho exercido este ofício na Igreja Batista Graça e Verdade, sendo ajudado pelos pastores, presbíteros, diáconos e líderes de departamentos. Que o Senhor nos mantenha unidos como um só corpo, regidos pela cabeça da Igreja, Jesus Cristo:

 “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Colossenses 1:18).

Pois “nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17:28), e para Ele seja a glória para todo o sempre. Amém!

Seu servo em Cristo,

Pr. Sandro L. Bitencourt

quarta-feira, 14 de maio de 2025

PASTORAL nº 114 - 01/03/2011 "NEM TUDO QUE RELUZ É CAQUI!"


    Esta semana que passou aconteceu algo que me ensinou muito. Minha esposa Ivis e eu saímos para trabalhar bem cedo e, ao nos aproximarmos da Vila Militar, vimos um ambulante carregando duas caixas. Uma delas era de pinha — fruta que, sinceramente, não entendo por que minha esposa gosta tanto — e confesso que estavam enormes. A outra caixa era de caqui.

Quando vi aqueles caquis grandes e reluzentes, meus olhos quase saltaram para fora do carro. O ambulante, que não é bobo, percebeu minha reação e logo veio em nossa direção, dizendo que a caixa de caqui custava R$10,00. Estava cheia, com duas fileiras acima da borda. Pensei: “Nunca vi caquis desse tamanho!” Na hora em que fui pegar o dinheiro, ainda perguntei:
— Os de dentro da caixa estão como esses de cima?
Ele, sem titubear, respondeu:
— Estão sim, todos iguais!

Peguei a caixa e arranquei com o carro, pois o sinal já havia aberto. Quando minha esposa foi conferir os caquis... qual foi a surpresa? Eles não estavam ruins. Eles não estavam bons. Eles simplesmente não estavam! Era tudo jornal! Um caqui em cima e o resto, papel.

Na hora, confesso que fiquei irado e pensei em dar a volta no próximo retorno. Mas minha esposa, enquanto ria, me impediu. Ela não parava de rir por eu ter pago R$10,00 por apenas oito caquis. Não ria... é pra chorar. Tá bom, pode rir... eu também riria.

Depois disso, lembrei-me de Adão e Eva no Jardim. Viram uma fruta que era agradável aos olhos e desejável para se comer... mas o fim foi uma trágica e eterna indigestão.

O diabo fez o mesmo com Jesus no deserto, como está registrado no evangelho de Lucas. E João, mais à frente, nos lembra:

“Porque tudo o que há no mundo — a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida — não procede do Pai, mas do mundo.”
(1 João 2:16)

Foi assim com Adão e com Jesus:

  • Tentados na carne, pela fome.

  • Tentados nos olhos, pela beleza do fruto e dos reinos deste mundo.

  • Tentados pela soberba da vida, pela promessa de serem como Deus ou de serem reconhecidos como tal, descendo do pináculo amparados por anjos.

Meus queridos, tomem cuidado com o que o “inimigo ambulante” das nossas almas tem oferecido.
Pode ser uma pessoa, um relacionamento, uma oportunidade, um “ministério”, uma promessa de poder...
Mas lembre-se: nem tudo que reluz é caqui!

Dois beijos e dois abraços,
Pb. Sandro Limeira Bitencourt

segunda-feira, 12 de maio de 2025

PASTORAL nº 113 - 05/12/2010 "UMA SAFIRA QUE PERDEU SEU VALOR"

Existem muitas pedras valiosas criadas por Deus, mas nesta mensagem quero destacar uma em especial: a safira. Esta pedra preciosa possui algo que a distingue das demais — ela se parece com o céu. Seu azul profundo reflete a eternidade. Se a colocarmos diante de um céu limpo, quase se funde com ele. A safira simboliza o céu nas mãos, o eterno invadindo o presente.

Assim também deve ser a mulher que teme ao Senhor. Seu valor não se mede apenas por atributos humanos, mas por sua capacidade de manifestar o céu em sua vida, em seu lar e em tudo o que faz. Seja qual for a estação ou o desafio que enfrente, que ela reflita o céu.

"Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias" (Provérbios 31:10).
A mulher virtuosa é como uma joia rara. Ela não é encontrada à beira do caminho, mas é fruto de busca, de garimpo. É preciso ter olhos treinados para enxergar o valor que vai além da beleza exterior. Afinal, "Como joia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição" (Provérbios 11:22).

Deus, ao criar a mulher em (Gênesis 2:22), também fez esse "garimpo santo". Ele não improvisou, Ele moldou. E a mulher virtuosa carrega em si o reflexo desse cuidado.

"O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho" (Provérbios 31:11).
Essa mulher tem firmeza de caráter. Não vive como sombra do marido, mas como auxílio idôneo. Está pronta a ajudá-lo — inclusive com palavras que desafiem e edifiquem.
"A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba" (Provérbios 14:1).

"Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida... cinge os lombos de força e fortalece os braços" (Provérbios 31:12-17).
Seja em casa ou fora dela, essa mulher entende que suas conquistas têm origem no esforço e na graça de Deus. Ela é trabalhadora, sábia, ativa — não fútil nem alienada.

"Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite" (Provérbios 31:18).
Sua lâmpada, símbolo de juízo, permanece acesa. Sua consciência é iluminada pela Palavra, e sua firmeza espiritual não vacila. Ainda que precise atravessar a noite trabalhando, ela permanece fiel.

"Estende as mãos ao fuso... Abre a mão ao aflito" (Provérbios 31:19-20).
Fruto da sua vida é vida. Aos necessitados, ela é amparo. Aos aflitos, ela é resposta. Ela é farol, coluna, serva do Altíssimo.

Ore:
“Senhor, eu quero ser como uma safira dentro do meu lar. Unge-me para que eu possa refletir o céu na minha casa!”

Essa é a mulher safira. Mas nas Escrituras, também encontramos outra mulher com esse mesmo nome — e uma história trágica.

Em Atos 5:1-2, lemos:
“Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade, mas, em acordo com sua mulher, reteve parte do preço...”
Safira, aqui, abriu mão de seu valor. Seu nome tinha brilho, mas suas atitudes foram de trevas. Ela anulou sua identidade ao pactuar com o erro de seu marido. Deixou-se conduzir, não pela verdade, mas pelo engano.

“Ananias... mentiste a Deus” (Atos 5:3-6).
Safira renunciou à santidade. E isso não apenas trouxe morte ao seu marido, mas desabou sua casa.
Se tivessem filhos, talvez estivessem órfãos. “Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa... porém, agora são santos” (1Coríntios 7:14). Mas ali não houve santificação, houve conivência com o pecado.

“Quase três horas depois, entrou a mulher de Ananias...” (Atos 5:7-8).
Eles não adoravam juntos. Não havia comunhão com Deus em seu casamento. Ela chegou depois, alheia ao que o Espírito já havia revelado.

Pedro, então, lhe diz:
“Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor?” (Atos 5:9-10).
E ela também caiu morta. O fruto de sua vida foi destruição. Ela repetiu o erro de Eva, que não precisou ser vigiada para pecar. Tinha julgamento próprio — e errou.

É tempo de as mulheres de Deus se levantarem!
Mesmo quando há ausência do sacerdócio no lar, Deus chama mulheres como Débora:
“Certamente, irei contigo... porém não será tua a honra... pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera” (Juízes 4:6-9).

Débora não anulou a liderança masculina, mas se ergueu onde havia fraqueza. Ela discerniu o tempo e a voz de Deus.

“Dispõe-te, porque este é o dia em que o Senhor entregou a Sísera nas tuas mãos” (Juízes 4:14).
Que este também seja o seu dia. O dia em que o céu brilha em sua casa, porque você decidiu ser uma safira — reflexo do céu na Terra.

Repita:
“Eu vou ser uma pedra preciosa dentro do meu lar! Serei canal para que o céu esteja na minha casa e a minha casa esteja no céu, servindo ao Senhor!”


sexta-feira, 21 de março de 2025

PASTORAL nº 112 - 25/11/2019 "NÃO TIRE A MORTE DA SUA MENTE"

Hoje, ao assistir ao Pr. John Piper, fui profundamente impactado por uma reflexão dele: "Tenho pensado na minha morte e em como quero me apresentar diante de Deus para prestar contas da minha vida". A Bíblia nos conta, em Lucas 12:16-21, uma parábola de Jesus que fala sobre o tempo que gastamos com coisas fúteis, como a riqueza, mesmo sabendo da iminência constante da morte. Mesmo sabendo que a salvação é obra exclusiva da graça, devemos lembrar que um dia prestaremos contas das nossas ações diante de Deus.

Em Eclesiastes 7:2, aprendemos que "é melhor estar na casa onde há luto do que na casa onde há festa, porque o luto faz com que todos reflitam sobre o seu fim". A verdade é que, um dia, nossos amigos e familiares estarão em uma casa de luto, e essa casa será a nossa. Todos estarão ali, olhando para o nosso corpo frio e sem vida, maquiado, mas sem o espírito presente. E todos, em silêncio, estarão se perguntando: "Um dia serei eu. Será que estou pronto para ficar diante de Deus e ouvir sobre onde passarei a eternidade?"

E nós, o que estamos fazendo para estar prontos? Um dia, estaremos diante de Deus, ouvindo sobre onde passaremos a eternidade. Meu conselho é que pensemos na morte, preferencialmente na nossa, mas não para paralisar a nossa vida enquanto esperamos sua chegada. Ela virá, independente da nossa espera. Com certeza, nos alcançará. Pense na morte de maneira a viver sem medo de estar do outro lado, diante de Deus.

A morte não é o fim, embora muitos pensem assim. Para mim, essa ideia é tolice, pois se a Bíblia estiver errada, vivemos apenas um estilo de vida e nada mais. Mas, se a Bíblia estiver certa, uma eternidade longe de Deus será, sem dúvida, um estado de agonia. E, se não temos controle sobre nossas vidas, é presunção achar que temos controle sobre a morte e onde passaremos a eternidade.

Deus não se interessa em evitar nossa morte, pois Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Para Ele, todos vivem (Lucas 20:38). Quero te dar um conselho: pense na morte, especialmente na sua. As palavras de Jesus terão um novo sentido quando Ele diz: "Eu sou a ressurreição e a vida. Todo aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá" (João 11:25).

Que esta mensagem te abençoe e, se tocou seu coração, envie para seus amigos e nos ajude a propagar o reino de Deus, que já chegou.

Pr. Sandro Bitencourt




quarta-feira, 12 de março de 2025

PASTORAL nº 111 - 14/11/2019 "CONVITE INCRÍVEL

Mateus 11:29
Levem o meu jugo e aprendam de mim, porque sou brando e humilde, e acharão descanso para as vossas almas.

Veja que convite incrível do nosso Senhor Jesus!
Em uma época em que religiosos impunham estilos de vida impossíveis de se praticar e que ao invés de gerar uma comunhão com Deus, só formavam pessoas de aparência religiosa e hipócrita.
O problema é que ter uma religião como acessório social, não nos revela e nem nos apresenta o amor de Deus, amor esse que é capaz de refrigerar a nossa alma nos momentos de aflição e angústia, pois, na lei só há cobrança e recompensa, mas, na graça, há favor e gratidão.
Por isso meu convite pra você hoje, é que você conheça de verdade a palavra de Deus e seu amor revelado em seu filho e você vai descobrir que uma religião ou mesmo uma igreja que torna pesada a tua vida, na verdade, não está te ensinando nada sobre Jesus.

Pr. Sandro Bitencourt


sexta-feira, 7 de março de 2025

PASTORAL nº 110 - 21/09/2011 "QUATRO ATITUDES QUE PRECISAMOS TER AO OBEDECER O CHAMADO DE DEUS"

No livro de Atos dos apóstolos é relatada a história de Paulo a caminho de Damasco e nesta história Deus tem alguns segredos para mim e para você, são quatro ordens que precisamos obedecer se quisermos agradar o coração do Senhor.

"Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu." Atos 22:6

Este evento poderia ter acontecido a qualquer hora do dia, mas, a Bíblia diz que esta luz apareceu perto do meio dia, pois Deus queria mostrar que não há luz que se pareça com o resplandecer de sua glória.

"E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues." Atos 22:7-8

terça-feira, 4 de março de 2025

PASTORAL nº 109 - 15/06/2011 ˜DEUS ESTÁ TE ABORRECENDO˜

Quantas vezes já pensamos: "Por que Deus permite isso?" Pior ainda quando esse "isso" se refere a nós. Dá para entender o porquê de coisas ruins acontecerem conosco e, ao mesmo tempo, ouvirmos que Deus cuida de nós? Agora, o que ninguém quer dizer e nem comentar são as responsabilidades – sim, responsabilidades no plural. Vivemos em uma sociedade e somos responsáveis não só por nós mesmos, mas também por aqueles que estão próximos de nós e até mesmo distantes. Isso porque, por mais que nossa mão não alcance alguém devido à distância para fazer-lhe mal, a enchente pode fazer o serviço por nós, provocada pelo saco plástico que nossa mão jogou no esgoto.

Vejo e ouço muita gente dizer que está longe de Deus por causa de alguma decepção com situações ou pessoas (Jeremias 17:5: "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!"). Mas, vamos pensar: qual é a lógica de uma pessoa brigar comigo e parar de falar comigo? Nenhuma! Não há sentido! O homem pensa que Deus é algo mágico, como uma ferradura, um pé de coelho ou uma figa pendurada no parachoque de um caminhão, julgando que essas coisas podem protegê-lo de uma colisão traseira, mesmo andando à noite em uma estrada com as luzes apagadas. Deus é uma pessoa. Cristo é uma pessoa. O Espírito Santo é uma pessoa. Os três são uma só pessoa, e, como pessoas, não estão isentos de sentimentos derivados de um relacionamento de amizade.

Vejamos este diálogo entre o povo e Samuel: "E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações. Porém, essa palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei para que nos julgue. E Samuel orou ao SENHOR. E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles."

O que Deus fez para ser rejeitado? O que Ele fez para ser trocado por uma pessoa comum? O que Ele fez para ser preterido em relação a Saul? O povo estava muito bem se relacionando com Deus através de Samuel, mas, ainda assim, quis abandoná-lo. Vemos a expressão de tristeza de Deus quando diz a Samuel para não se preocupar em atender ao povo, pois eles não o rejeitaram a ele, mas a Ele como Rei. A pergunta de Deus feita ao povo, em Miquéias, continua sendo feita a nós: "Ó povo meu, que te fiz eu? E com que te enfadei?" (Miquéias 6:3). Será que o que Deus fez por eles foi tão ruim assim? "Pois te fiz subir da terra do Egito, e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti a Moisés, Arão e Miriã." (v.4)

Esta é a verdadeira história: Deus é rejeitado desde o início, não com Samuel, mas com Adão e Eva, em seus encontros agradáveis com Deus nos fins de tarde. Mesmo tendo livrado o povo da servidão através de Moisés, Ele é traído novamente nesse evento com Samuel.

Eu, você, nós... O que Deus tem feito por nós para que o tratemos assim, com desamor, jogando para cima d'Ele algo que não é justo, como as coisas ruins que nos acometem? Pois tudo isso é do conhecimento de Deus, mas não do Seu querer. A Sua vontade para nós é esta: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2)

Bem, o texto acabou. Mas será que os motivos que você cultiva aí dentro do teu coração vão conseguir acabar? Será que você conseguirá dar fim a esses sentimentos? Uma coisa é certa: Deus poderia fazê-lo, mas Ele não vai, pois Ele deseja ser amado por você pela pessoa que Ele é, e não pelas manifestações de poder a nosso favor, mas pela manifestação do sofrer em amor.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16)

Será que saber disso te aborrece tanto assim?

Fique à vontade para enviar esta mensagem para seus amigos, só não esqueça de colocar os créditos e a fonte. Ok?

2 beijos e 2 abraços,
Pb. Sandro Limeira Bitencourt


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PASTORAL nº 122 - 14/02/2020 "A IMPORTÂNCIA DA MEDITAÇÃO ,E O LUGAR ONDE REPOUSA SEUS PENSAMENTOS

Um a reflexão sobre a contemplação, a ansiedade e a necessidade de silenciar a alma diante de Deus. Calma! Não me tornei um crente esotérico...